Açaí melhora a função vascular e reduz o estresse oxidativo em homens saudáveis com sobrepeso

O açaí (Euterpe oleracea) é um pequeno fruto cultivado na América do Sul, conhecido por sua alta concentração de flavonoides – um tipo de polifenol. Nos últimos anos, o fruto se tornou famoso no mercado global de saúde e muitas vezes se encontra disponível como suplemento em pó ou como um constituinte menor em alimentos como bebidas ou iogurtes de frutas.

 

Os polifenóis, compostos bioativos encontrados em plantas, têm sido amplamente estudados por sua capacidade de reduzir a atividade de radicais livres in vitro. Eles foram mostrados para potencialmente melhorar a função vascular, reduzir a pressão arterial, melhorar a sensibilidade à insulina, diminuir a concentração do colesterol LDL e modular a resposta inflamatória.

 

Um estudo publicado recentemente no American Journal of Clinical Nutrition examinou o efeito do consumo de um smoothie de açaí na função vascular, estresse oxidativo, pressão arterial, frequência cardíaca e glicose.

 

Nesta intervenção dietética aguda, randomizada, controlada, duplo-cega e cruzada, o purê de açaí foi misturado com uma banana, como é tipicamente preparado no Brasil, e foi ingerido depois de um café da manhã rico em gordura. Os autores procuraram avaliar o efeito atenuante do fruto rico em flavonoides sobre o impacto vascular negativo causado pela refeição carregada de gordura.

 

Vinte e três voluntários masculinos britânicos com excesso de peso receberam um café da manhã rico em gordura, seguido por um smoothie de açaí contendo 694mg de polifenóis, ou um smoothie de controle com teor de micronutrientes semelhante, mas contendo menos de 10mg de polifenóis. Os voluntários eram saudáveis com idade entre 30 e 65 e com um índice de massa corporal entre 25 e 30. As avaliações foram realizadas às 2, 4 e 6 horas após a refeição.

 

O desfecho primário foi a avaliação da função endotelial da artéria braquial pela dilatação mediada pelo fluxo (DMF). A DMF é uma medida da função vascular e um marcador bem estabelecido de risco de doença cardiovascular. Outros marcadores de doença avaliados – indicativos de risco de doença cardiovascular – incluíam estresse oxidativo, pressão sanguínea, frequência cardíaca e resposta à glicose.

 

Os pesquisadores descobriram que os homens que consumiram o smoothie de açaí experimentaram um aumento na DMF de 1,4% na segunda hora e 0,8% na sexta hora. Os voluntários que consumiram o smoothie de controle tiveram um aumento na DMF de 0,4% e uma diminuição de -0,3% nos respectivos tempos de avaliação. Os resultados também indicaram uma redução significativa no estresse oxidativo após o consumo de açaí em relação ao grupo controle. Não houve alterações significativas na pressão arterial, frequência cardíaca ou resposta à glicose no grupo polifenol ou no grupo controle. No entanto, o pico de insulina duas horas após o início da intervenção foi mais elevado para os homens que consumiram a refeição rica em açaí em relação ao grupo de controle.

 

Intervenções que reduzam o ônus das doenças cardiovasculares são desejáveis, particularmente na determinação de programas de saúde pública. Estudos anteriores indicaram que uma dieta rica em frutas e vegetais pode proteger contra as doenças cardiovasculares. No entanto, permanece a necessidade de identificar determinados alimentos vegetais que oferecem um forte efeito protetor e de compreender os mecanismos envolvidos na forma como eles impedem a doença.

 

Pesquisas anteriores demonstraram que o consumo de mirtilos ricos em polifenóis melhorou os fatores de risco associados à síndrome metabólica, diabetes e doenças cardiovasculares, e também pode ter um efeito benéfico sobre a dilatação mediada pelo fluxo. Outros estudos demonstraram que alimentos ricos em polifenóis, como cacau, chá verde e uvas, também podem melhorar a DMF.

 

Este estudo foi a primeira intervenção dietética controlada em seres humanos que demonstrou os benefícios do consumo de açaí sobre o risco de doença cardiovascular com uma avaliação bem validada.

 

Os autores sugerem que a pesquisa futura deve examinar os efeitos do consumo do fruto em longo prazo em vez de uma intervenção dietética de curto prazo, e deve avaliar seus benefícios em outros grupos diferentes de homens saudáveis com excesso de peso.

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