Como a música pode impulsionar um treino de alta intensidade

 O exercício intenso e altamente exigente tem muitos benefícios para a saúde e tem a desvantagem de ser fisicamente desagradável, o que impede muitas pessoas de iniciar ou que incentiva a desistência. No entanto, um novo estudo encorajador sugere que ouvir música enquanto se faz exercícios extenuantes torna a tarefa mais fácil e, inclusive, ajuda as pessoas a se esforçarem mais do que o esperado.

O exercício extenuante, especialmente na forma de treinamento intervalado de alta intensidade, tem interessado muitos cientistas e esportistas nos últimos anos.

Estes exercícios são à base de breves surtos de intenso esforço físico intercalados com períodos de descanso. Estudos anteriores mostraram que sessões de 15 ou 20 minutos de treinamento intervalado melhora a aptidão das pessoas e reduz o risco de muitas doenças crônicas tão eficazmente quanto treinos mais longos de resistência contínua moderada.

Em outras palavras, o treinamento intervalado de alta intensidade promete um super treino em um espaço de tempo pequeno.

Mas, como aqueles de nós que têm experimentado este tipo de exercício aprende rapidamente, por mais curto que seja esse tempo, ele é duro. Muitas pessoas acham a experiência “aversiva”, relatou Matthew Stork, um estudante de graduação na Universidade de McMaster em Hamilton, Ontário, que liderou o novo estudo, publicado na Medicine & Science in Sports & Exercise.

 

O Sr. Stork e seus colegas da McMaster, que têm realizado muitos estudos de treinamento intervalado de alta intensidade, perguntou-se se seria possível encontrar maneiras de modificar a percepção das pessoas de desagrado pelo esforço dos exercícios. Ele sabia não ser possível reduzir substancialmente a intensidade sem reduzir os benefícios fisiológicos. Mas talvez pudesse alterar os sentimentos das pessoas sobre a dificuldade.

Ele e seus colegas pensaram imediatamente na música.

Muitos estudos anteriores descobriram que ouvir música pode mudar a experiência do exercício nas pessoas, com a maioria delas relatando que ouvir músicas enérgicas faz o treino parecer mais fácil e menos monótono.

Mas esses estudos geralmente envolveram exercícios de resistência padrão, como 30 minutos de corrida contínua ou de bicicleta. Poucos examinaram o efeito que a música pode ter durante os intervalos intensos, em parte porque muitos cientistas do exercício suspeitaram ser esse tipo de treino já muito desgastante para que os efeitos da música pudessem ser identificados.

 

Mas o Sr. Stork não estava convencido. Assim, ele recrutou 20 voluntários adultos, jovens e saudáveis, nenhum dos quais já havia se envolvido anteriormente com o treinamento intervalado de alta intensidade e os levou para o laboratório onde os ensinou como se exercitarem fortemente.

O regime que os voluntários seguiram foi bastante simples: Usando bicicletas estacionárias, eles completaram quatro tiros de 30 segundos que os pesquisadores chamam de pedalar ‘tudo o que podem’, na maior intensidade que cada voluntário poderia suportar. A cada tiro de 30 segundos foi seguido o intervalo de quatro minutos para recuperação, durante o qual os voluntários podiam pedalar suavemente ou sair da bicicleta e se sentarem ou caminharem. Enquanto que durante os tiros de 30 segundos os cientistas registraram a potência de suas pedaladas, perguntando o quão difícil o exercício estava e se eles estavam se divertindo. Ou não.

 

Após o treino, os voluntários sentaram-se e listaram suas canções favoritas, que os pesquisadores então usaram para criar playlists personalizadas para cada um.

Em seguida, cada voluntário voltou mais duas vezes para o laboratório, para mais duas sessões adicionais dos exercícios intervalados de alta intensidade. Durante um, eles ouviram a sua playlist escolhida. No outro, eles não ouviram música.Depois, os pesquisadores compararam os níveis de potência com os sentimentos sobre a dificuldade do treino.

Os voluntários relataram que todos os intervalos tinham sido difíceis. Na verdade, seus sentimentos sobre a dificuldade eram quase idênticos, quando ouvindo música ou não.O interessante é que a potência utilizada no exercício havia sido substancialmente maior quando eles estavam ouvindo música, pedalando muito mais forte sem sentir o esforço mais desagradável.

Numa escala de 0 a 10 (sendo 10 como insuportável), o treino sem música ficou equivalente a oito ou mais.Com a música se deu o mesmo, mas eles estavam trabalhando muito mais duro durante cada tiro de 30 segundos. A intensidade aumentou, mas não o desconforto.

 

Entrevistados pelos cientistas no final do experimento, todos os 20 voluntários disseram que se fizessem o treino intervalado, eles definitivamente iriam optar por ouvir música para conseguirem desempenhar bem.

Como a música afeta o desempenho e a percepção durante o exercício intenso permanece incerto, Mr. Stork afirmou, mas provavelmente envolve as “respostas de excitação”. O corpo responde ao ritmo da música com um acelerando fisiológico que prepara para as exigências dos intervalos.

 

As pessoas também podem transformar a música na esperança de ignorar mensagens insistentes de desconforto de seu corpo. Música não pode, é claro, substituir aquelas mensagens completamente, Mr. Stork ressaltou, mas pode silencia-las e torná-las mais dispostas para as sessões intervaladas, suor e música.

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