Ácido Lático é um Verdadeiro Termômetro da Eficiência do Exercício

Estamos acostumados a falar, e pensar, sempre em treino aeróbio. E é fácil de entender: a produção de energia a partir do sistema aeróbio é a que sustenta principalmente os exercícios de longa duração. E, como exemplo, o principal deles – a corrida de rua – esporte com maior número de praticantes ao redor do mundo.

Bem, mas o que o ácido lático tem a ver com isso? Tudo. Ele é o termômetro para a eficiência dos exercícios aeróbios. A medida que o acúmulo desse ácido acontece, a fadiga vem e o exercício será encerrado.

O chamado ciclo do sistema do ácido lático, energia de curto prazo, é utilizado para o trabalho intenso a partir do glicogênio muscular e da glicólise anaeróbia, dispensando o oxigênio durante seu ciclo.

Esse ciclo torna possível a geração rápida de energia mesmo na insuficiência do oxigênio ou mesmo quando o trabalho solicitado ultrapassa o tempo necessário para a produção aeróbia de energia.

As provas e trabalhos que tem o ácido lático como produto final do ciclo energético são as de esforço intenso, máximo, durante pelo menos 1 minuto e no máximo 3 minutos. A exaustão impede o prosseguimento do trabalho.

O melhor exemplo para a utilização desse ciclo é a natação de 100 metros, prova curta, rápida, que não chega a utilizar o ciclo aeróbio de produção de energia. Há grande acúmulo final de ácido lático, exaustão, e aquela respiração acelerada e ofegante necessária para compensá-lo e refazer o equilíbrio e a homeostase.

Bem, se ele faz parte da produção rápida da energia, não tem nada com a minha corrida de 10k? Tem tudo a ver sim. Sua produção acelerada determina o ritmo e o sucesso da sua empreitada.

Vejam o que o ácido lático pode fazer naqueles que são sadios porém sedentários. Limitam a 50/55% a capacidade do metabolismo aeróbio produzir energia. A boa notícia é que o treinamento desloca esse percentual em direção a uma melhor eficiência por retardar o acúmulo do ácido.

Os testes de laboratório ergométrico e ergoespirométrico, que avaliam a função cardiovascular e cardiopulmonar, realizados em esforço máximo, revelam de maneira indireta ou direta, o intervalo de trabalho aeróbio no qual o acúmulo de ácido lático não é suficiente para interromper os exercícios de longa duração e, portanto, úteis na prescrição do treinamento dito aeróbio.

Esse mesmo intervalo pode ser obtido pela dosagem sanguínea e seriada do ácido lático à medida que o esforço é realizado. Sua produção exponencial indica que a produção de energia com o auxílio do oxigênio terminou e que o metabolismo anaeróbio será utilizado para cumprir a tarefa apenas por mais 3 minutos que precedem a exaustão.

Os treinamentos de velocidade e potência com aumento da massa muscular, para as provas em que energia de curta duração são exigidas, aumentam a tolerância individual ao acúmulo muscular e sanguíneo de ácido lático. Alguns atribuem a maior capacidade de armazenar glicogênio pelo músculo como o fator principal para esse efeito.

No entanto, se comparado com a adaptação muscular produzida pelo treinamento aeróbio, constata-se que a resposta é consistentemente maior para a energia de longa duração.

E, finalmente, para responder à pergunta clássica: “o ácido lático é um vilão?”. Recorro a uma lei da física bastante consagrada: “depende do referencial adotado”. Depende do objetivo e do tipo de treinamento proposto por cada indivíduo.

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