Frutas brasileiras e a ciência

Na botânica, um fruto é a estrutura que carrega as sementes em plantas com flores (também conhecidas como angiospermas). Já a palavra “fruta” não é uma termologia botânica, mas um nome popular dado aos frutos e pseudofrutos comestíveis de sabor adocicado. Nem todo fruto é considerado uma fruta comestível pelos humanos, mas toda fruta é um fruto, como os legumes também o são.

 

O Brasil é o 3o maior produtor de frutas no mundo (15o no ranking de exportação), suprindo quase integralmente o mercado interno. Tendo o país um extenso território com diferentes climas e ecossistemas, estas característica possibilitam a produção de uma vasta variedade de frutas. Muitas delas adquiriram o termo “Brazilian Fruit” no mercado exterior, mesmo que algumas possam ser também nativas de outros países da América Central e do Sul.

 

Todos sabemos que as frutas possuem um grande valor nutricional, com vitaminas, sais minerais, antioxidantes, açúcares naturais e fibras – valores estes dependentes e variáveis quanto ao tipo. Muitas delas já foram estudadas separadamente em estudos prospectivos de coorte ou ensaios clínicos randomizados demonstrando importante papel na prevenção ao câncer, por exemplo, e tipicamente são de grande interesse para a saúde devido ao seu conteúdo fitoquímico, incluindo polifenóis, fitoestrogênios e antioxidantes.

 

Aqui, separamos uma pequena lista de frutas brasileiras com respectivos estudos científicos específicos às suas características para a saúde humana, que, lentamente, estão se tornando conhecidas no exterior por suas propriedades benéficas para a saúde e “exotismo”. Com exceções, estas delícias são na maioria encontradas comumente na região Norte e Nordeste, e, por vezes, não muito conhecidas pelas populações de outras regiões brasileiras.

 

Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)

O cupuaçuzeiro, nativo da Amazônia, é uma planta do mesmo gênero que o cacau (Theobroma cacao), tanto que suas sementes podem substituir as do cacau na produção de chocolate. Já sua polpa e sementes são muito utilizadas em sucos, licores, guloseimas e cosméticos.

 

Um estudo publicado em Journal of Natural Products identificou o cupuaçu como uma fruta rica em 9 antioxidantes flavonoides, incluindo quercetina, catequina e epicatequina (encontrada no chá verde).

 

 

Açaí (Euterpe oleracea)

O fruto de cor roxa ganhou o centro das atenções no mercado nacional e internacional, inclusive ganhando o título de “superalimento” por uma excelente razão: possui um alto teor de antioxidantes, além de gorduras benéficas (monoinsaturadas e poli-insaturadas), fibras e proteínas. Nativo da região amazônica, entre outras, o açaí é muito utilizado na produção de alimentos e bebidas e, atualmente, já são vários estudos científicos afirmando suas propriedades benéficas à saúde:

 

– Melhora da função vascular e redução do estresse oxidativo

– Poder antioxidante e anti-inflamatório, podendo ser usado em convulsões, prevenção de inflamação intestinal, redução da percepção de dor, inibição da atividade dos osteoclastos, tratamento da obesidade e esteatose hepática, além de mostrar-se seguro devido ao fato de não possuir ação genotóxica.

– Para os atletas, o açaí é um excelente alimento, pois possui 8 aminoácidos essenciais (triptofano, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, valina, leucina e isoleucina) e é rico em gorduras saudáveis já que cerca de 60% do seu conteúdo de gordura corresponde a ácidos graxos monoinsaturados (desses, 56,2% ácido oleico), aproximadamente 26% de ácido graxo saturado e 13% de ácidos graxos poli-insaturados. Estudos concluem que o consumo do fruto é indicado para melhorar o desempenho atlético e recuperação pós-exercício durante treinamento de alta intensidade.

 

 

Cajá  (Spondias mombin)

No Brasil, o cajá é encontrado no norte e nordeste e é rico em carotenoides, vitamina C, magnésio, fósforo, potássio, fibra, taninos, cálcio, compostos antioxidantes e fenólicos. Segundo Kimura, o cajá (polpa e película comestível) fornece um valor de vitamina A maior que o caju, goiaba e alguns cultivares de mamão e manga.

 

As folhas da planta estão também sendo investigadas por suas propriedades benéficas.

 

Camu-camu (Myrciaria dubia)

Contém grande fonte de antioxidantes (flavonoides e antocianinas) na polpa, sementes e pele, incluindo alto conteúdo de vitamina C – esta, a nível comparativo, mais alto que a acerola.

 

Uma revisão sistemática executada em 2015 relata que a evidência (estudos em animais e em humanos) aponta para um papel potencialmente substancial da fruta camu-camu para o equilíbrio das respostas imunológicas e como um antioxidante viável para mediar processos anti-inflamatórios. Suas sementes contêm derivados de ácido elágico (encontrados em framboesas e outras frutas), enquanto tanto as sementes quanto a pele contêm proantocianidinas. O conjunto de suas propriedades mostra potencial para desempenhar um papel na redução ou alívio de sintomas de um número de doenças, em particular associadas com o envelhecimento.

 

Um estudo publicado em Journal of Cardiology comparou os seus efeitos aos da vitamina C por via oral em fumantes e encontrou uma redução dos marcadores de estresse oxidativo e inflamação, enquanto não foram observadas alterações no grupo que só se suplementou com a vitamina C. Os pesquisadores sugeriram que os benefícios do camu-camu podem ser devido a seus antioxidantes além da vitamina C, ou a cinética entre eles.

 

Outro estudo, publicado em Anais da Academia Brasileira de Ciências, reportou a capacidade do fruto camu-camu para melhorar vários fatores metabólicos, como glicose, colesterol, triglicerídeos e insulina, sugerindo ser uma fruta funcional.

 

Jabuticaba (Myrciaria cauliflora)

Encontrada frequentemente nos estados das regiões nordeste, sudeste e sul (Mata Atlântica), esta pequena fruta contém vitamina C e antocianinas (na casca), que fornecem benefícios antioxidantes.

 

Acerola (Malpighia emarginata)

Conhecida por seu notável perfil de vitamina C, este fruto parecido com uma cereja têm um efeito antioxidante que ajuda a proteger o DNA, particularmente quando a fruta está em seu estágio ainda verde.

 

Em experiências de laboratório, a acerola exibiu as seguintes ações: inibe a acetilcolinesterase, é antigenotóxica, antioxidante e anti-inflamatória, remove radicais livres, inibe a formação tanto de alfa-glicosidase quanto do produto final de glicação avançada, citotóxica contra linhagens de células tumorais (carcinoma epidermoide oral e da glândula submandibular), antibacteriana, inibe a produção de óxido nítrico, e apresenta característica antifúngica.

 

Espécies de palmito, como o buriti, bacaba, inajá, pupunha e tucumã, apresentam grande fonte de compostos bioativos, alguns dos quais mais altos do que as frutas comumente consumidas. Seus níveis totais de antocianinas e polifenóis extraídos se correlacionaram diretamente às atividades antioxidantes das frutas.

 

Muitas espécies de frutas brasileiras ainda aguardam estudos científicos para comprovar ou não o que o conhecimento popular afirma. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), se faz necessário, entre outras estratégias de saúde, aumentar a conscientização geral acerca da função da frutas para seu maior consumo, bem como apoiar a pesquisa na área. O alto consumo de frutas (e verduras) reduz o risco de cardiopatias, alguns tipos de câncer e obesidade.

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