Vida ativa reduz risco de câncer

Pesquisa realizada no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com a Universidade de Harvard, Universidade de Cambridge e Universidade de Queensland, confirmou que mais de 10 mil novos casos de câncer, entre eles o de mama e o de cólon, poderiam ser evitados no Brasil se as taxas de sedentarismo entre os brasileiros não fosse tão alta. Um artigo sobre o assunto foi publicado, em julho último, na revista científica internacional Cancer Epidemiology.

De acordo com levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase a metade dos brasileiros sequer pratica a recomendação mínima da Organização Mundial da Saúde (OMS): 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos em ritmo mais intenso. As mulheres estão em desvantagem em relação aos homens. É maior o número de mulheres que não se exercitam, cerca de 51%, enquanto os homens, é de 43%.

A prática regular da atividade física influencia no controle de peso e no nível de gordura e atua diretamente sobre hormônios e marcadores inflamatórios. A falta dela aumenta o risco de incidência de alguns tipos de câncer, principalmente os que foram objetos de estudo, o de mama e o de cólon. A pesquisa trouxe mais detalhes sobre o assunto:  os pesquisadores concluíram que até 8.600 casos de câncer em mulheres e 1.700 casos de câncer em homens poderiam ter sido evitados simplesmente com o aumento dos exercícios semanais. De acordo com Leandro Rezende, um dos autores do estudo realizado na FMUSP, esses casos correspondem à 19% da incidência de câncer de cólon e 12% de câncer de mama no Brasil.

Sob o ponto de vista geográfico, o Rio de Janeiro teria 1.244 casos evitáveis e São Paulo, outros 2.587 casos, se as pessoas se mantivessem mais ativas fisicamente.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil e corresponde a 28% dos casos novos a cada ano. Em 2018, a previsão é para aproximadamente 60 mil novos casos. Já para câncer colorretal, com os tumores que acometem parte do intestino grosso (o cólon) e o reto, a estimativa é de 36 mil novos casos.

Outra pesquisa, feita na Escola Yale de Saúde Pública, nos Estados Unidos, também confirma a associação entre atividade física com a menor incidência de diferentes tipos de câncer. O resultado do estudo norte-americano constatou que mulheres que se exercitaram por pelo menos 150 minutos por semana apresentaram risco reduzido de desenvolvimento de câncer de endométrio.

Os pesquisadores avaliaram 668 mulheres com câncer de endométrio, comparando os resultados com os observados em 665 outras sem tumores. Aquelas que praticaram exercícios por 150 minutos ou mais por semana tiveram risco 34% menor de desenvolver tal tipo de câncer do que as que se mantiveram sem atividade física. A associação se mostrou mais pronunciada entre mulheres ativas e com índice de massa corporal (IMC) inferior a 25, as quais apresentaram risco 73% menor do que as que não praticaram exercícios e tinham IMC maior do que 25. Mas os efeitos da atividade física se mostraram importantes mesmo entre as mulheres com sobrepeso ou obesas. As que tinham IMC acima de 25, mas praticaram mais de 150 minutos de atividade física por semana, tiveram risco 52% menor de desenvolver a patologia.

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