Olá caros leitores, aqui estou novamente para abordar o tema: Acessibilidade.

Dessa vez gostaria de dividir com vocês uma grande experiência que tenho vivido nos últimos anos, o de ser Atleta Guia de um corredor de rua com deficiência visual.

Essa experiência começou a três anos atrás quando numa das muitas corridas que acontecem na cidade de Piracicaba fui chamado para treinar pessoas que queriam correr vendadas, no intuito de divulgar a inclusão de pessoas com deficiência no esporte e mostrar a população que é possível superar obstáculos e alcançar os objetivos sem assim o desejar, e claro, se tiver oportunidade para tal feito.

Pois bem, aceitei prontamente o convite e ao final do treinamento uma pergunta nos veio a mente: por que não colocarmos os próprios alunos com deficiência visual para correr? E assim, surgiu um projeto de corrida de rua dentro da [1]instituição onde trabalho.

Hoje, já temos 3 alunos que participam regularmente de corridas de rua (5km) e alguns mais que participam das caminhadas promovidas nestes eventos.

Dessa maneira, dentro da instituição contamos com esteiras, bicicletas ergométricas e equipamentos que nos auxiliam nos treinamentos, os alunos treinam três (3) vezes por semana, além dos treinos individuais com seus respectivos guias fora da instituição.

Para relatar a vocês minha experiência a foto abaixo retrata bem como tudo isso mudou minha vida e a forma de enfrentar os desafios e buscar os objetivos.

No inicio da prova eu estava tranquilo, sorridente e encarando tudo aquilo como mais um dia de trabalho como tantos outros nesses anos dentro da Educação Física.

Porém, quando faltavam alguns metros para concluirmos a corrida algo mudou, os problemas passaram a ser menores, as dificuldades começaram se apequenar e o desafio tinha sido concluído e superado, e a partir daí amigos, as lágrimas corriam como nunca, era impossível parar aquele sentimento, não só de dever cumprido, mas o de realmente ter ajudado aquele garoto a superar as suas dificuldades, vencer as barreiras e se tornar um ser humano melhor, mais ativo e com mais vida.

 

 

 

Hoje, a corrida de rua faz parte de nossas vidas como algo que transformou a nosso modo de pensar, conseguimos reconhecimento de nossa profissão, aumentamos a visibilidade da instituição e principalmente mudamos a vida das pessoas: os alunos com deficiência visual se sentem mais motivados, aumentaram suas perspectivas e mudaram seus objetivos; as demais pessoas estão mais solidárias, reconhecem e se espelham na força de vontade de nossos alunos, e todos nós estamos tentando melhorar o mundo em que vivemos através do esporte, da educação e da solidariedade.

Mas tudo isso só acontece por aqui porque existe um trabalho adequado e fundamentado nos conceitos da Educação Física.

Os alunos são submetidos todo ano a exames médicos para atestar o bom estado de saúde.

Conseguimos alguns médicos cardiologistas que acompanham esporadicamente os alunos corredores sem custos.

Também temos o auxilio de uma clinica de fisioterapia da cidade que acompanha e examina os atletas, e ainda contamos com ajuda de duas clinicas especializadas em treinamento de corrida que oferecem todo o suporte de treinamento e durante os eventos.

Os treinos dentro da instituição são todos supervisionados por mim, os seja é indispensável que um profissional de Educação Física acompanhe e promova treinamentos adequados àqueles dispostos a praticar atividade física.

 

 Desse modo, salientamos alguns pontos positivos que alcançamos até aqui com esse projeto:

 

* Os alunos que participam das aulas melhoram o seu quadro de saúde a cada ano, estando menos suscetíveis a doenças, melhorando a condição física;

* Algumas capacidades físicas defasadas pela deficiência visual como equilíbrio, agilidade, flexibilidade tiveram ganhos considerá

* Há maior participação em eventos da cidade e o aumento do circulo social;

* Há melhora da autoestima;

* Melhor aceitação da própria deficiência.

 

Enfim, através do esporte conseguimos melhorar a qualidade de vida, mesmo que seja uma mínima mudança já podemos considerar algo muito significativo na vida de uma pessoa com deficiência.

Aqui me despeço torcendo para que a educação física continue ajudando a todos nós a melhorar como ser humano, a entender as diferenças e a respeitarmos uns aos outros cada vez mais.

Até Semana que vem…

 

 

 

 

[1] AVISTAR – Ong que da assistência à pessoas com deficiência visual na cidade de Piracicaba, fundada em 2005 tem como objetivo (re)habilitar pessoas e (re)inseri-las na sociedade para exercer seus direitos civis. Conta com projetos na área da assistência social, psicologia, educação física, informática, artesanato e trabalhos manuais.

 

 

EDUARDO AZZINI
CREF: 071275-G/SP

 

 

Dra. Ritz

Médica e atleta fisiculturista, realiza palestras por todo o Brasil, divulgando o envelhecimento saudável, a longevidade e a busca por uma vida mais plena e produtiva. Serve de exemplo e estímulo para os seus pacientes, que buscam em sua pessoa, uma fonte de conhecimento, inspiração e exemplo de vida.

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